Mercado reage ao aumento das tensões no Oriente Médio, enquanto o Estreito de Ormuz segue parcialmente bloqueado
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta segunda-feira após o presidente dos EUA, Donald Trump, classificar como "inaceitável" a resposta do Irã à proposta americana de cessar-fogo. O movimento reacendeu as preocupações do mercado com a oferta global de energia, principalmente diante da continuidade das restrições no Estreito de Ormuz.
O barril do Brent avançou 3%, sendo negociado a US$ 104,32, enquanto o WTI subiu 3,2%, chegando a US$ 98,40. Durante a sessão, os contratos chegaram a tocar máximas acima de US$ 105 e US$ 100, respectivamente.
Na semana passada, o mercado havia registrado forte queda com as expectativas de um possível acordo entre EUA e Irã. No entanto, o impasse nas negociações voltou a elevar o clima de cautela entre os investidores.
Segundo analistas, apesar dos canais diplomáticos continuarem abertos, ainda existe uma grande distância entre os dois lados. A expectativa agora gira em torno da viagem de Trump à China, onde o presidente americano deverá discutir o conflito com Xi Jinping e buscar apoio de Pequim para pressionar Teerã.
O CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser, afirmou que o mundo perdeu cerca de 1 bilhão de barris de petróleo nos últimos dois meses e alertou que a recuperação da oferta global não será imediata, mesmo que o fluxo pelo Estreito de Ormuz seja retomado.
Além disso, navios petroleiros continuam atravessando a região com rastreadores desligados para evitar possíveis ataques iranianos. Dados da Kpler Shipping mostram que ao menos três embarcações fizeram esse trajeto recentemente.
A tensão também começa a impactar diretamente o comércio internacional. As exportações de petróleo da Arábia Saudita para a China devem cair em junho, refletindo os preços elevados e a redução da oferta provocada pelo conflito.
Enquanto isso, o Japão confirmou a chegada de uma carga de petróleo do Azerbaijão, marcando a primeira importação da Ásia Central desde o início da guerra com o Irã.
Analistas do JPMorgan avaliam que o petróleo deve permanecer próximo dos US$ 100 ao longo do restante de 2026, destacando que uma normalização rápida do mercado ainda parece improvável.
Empresas americanas também começaram a se proteger da volatilidade. A Diamondback Energy realizou operações para se resguardar contra uma possível ampliação da diferença de preço entre o petróleo WTI e o Brent, cenário que poderia ocorrer caso os EUA restringissem exportações de petróleo no futuro.