Por Maria Eduarda Cabral em Segunda, 29 Junho 2026
Categoria: Mercados

Ouro recua com escalada das tensões entre EUA e Irã e expectativa de juros mais altos nos EUA

Avanço do petróleo, fortalecimento do dólar e perspectivas de uma política monetária mais rígida pressionam o mercado de metais preciosos

Os preços do ouro iniciaram a semana em queda, pressionados pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, que impulsionou os preços do petróleo e reacendeu as preocupações com a inflação. O cenário fortaleceu as expectativas de que o Federal Reserve (Fed) poderá elevar novamente as taxas de juros ainda este ano, reduzindo a atratividade do metal precioso.

O ouro à vista recuou 1,03%, sendo negociado a US$ 4.045,95 por onça, enquanto os contratos futuros para entrega em agosto também registraram perdas. O metal já havia atingido, na semana anterior, seu menor nível em mais de sete meses.

O movimento ocorre após o agravamento das tensões no Oriente Médio. No domingo, o Irã lançou mísseis e drones contra instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait, em resposta às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia ameaçado eliminar a liderança iraniana caso o país não aceitasse os termos de um acordo de paz definitivo.

O aumento do risco geopolítico fez os contratos futuros do petróleo Brent avançarem. Apesar de o ouro tradicionalmente ser considerado um ativo de proteção em momentos de incerteza, a alta do petróleo elevou as expectativas de inflação, fortalecendo a percepção de que o Fed poderá manter uma política monetária mais restritiva por mais tempo.

"O mercado está acompanhando de perto os acontecimentos no Oriente Médio, enquanto ainda ajusta suas expectativas para uma postura mais agressiva do Federal Reserve", afirmou Peter Grant, vice-presidente e estrategista sênior de metais da Zaner Metals.

Na reunião mais recente, o Federal Reserve manteve os juros inalterados, mas sinalizou que um novo aumento permanece no radar diante da inflação ainda acima da meta de 2%.

Outro fator que pesou sobre o ouro foi a valorização do dólar americano, que caminha para registrar seu melhor desempenho mensal em quase um ano. Como o metal é cotado em dólares, uma moeda americana mais forte torna o ouro mais caro para investidores que utilizam outras divisas, reduzindo a demanda internacional.

As atenções do mercado agora se voltam para a divulgação dos dados de emprego dos Estados Unidos, com o relatório da ADP previsto para quarta-feira e o Payroll (Non-Farm Payroll) na quinta-feira. Os indicadores serão fundamentais para calibrar as expectativas sobre os próximos passos da política monetária do Fed.

Segundo Grant, caso o mercado de trabalho continue demonstrando força, o ouro poderá sofrer novas pressões.  "Se os dados de emprego vierem fortes novamente, reforçando a expectativa de juros elevados por um período mais longo, o ouro poderá renovar suas mínimas recentes." reafirmou.

Atualmente, os investidores atribuem cerca de 60% de probabilidade a um aumento das taxas de juros até setembro. Entre os demais metais preciosos, a prata caiu 1,21%, para US$ 58,45 por onça, a platina recuou 1,88%, para US$ 1.584, enquanto o paládio registrou leve baixa de 0,07%, sendo negociado a US$ 1.208,28 por onça. 

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