Por Maria Eduarda Cabral em Sexta, 06 Março 2026
Categoria: Mercados

O que está por trás do preço de uma operação no mercado financeiro?

​Spread, slippage e corretagem são os três elementos que especialistas consideram determinantes para o resultado real de quem investe

Calcular o resultado de uma operação pela diferença entre o preço de entrada e o preço de saída parece suficiente, mas essa conta tende a deixar de fora uma camada de custos que, acumulada ao longo de centenas de operações, pode comprometer o desempenho de estratégias aparentemente sólidas. Spread, slippage e taxa de corretagem figuram entre os elementos que especialistas apontam como determinantes do custo real de operar no mercado financeiro.

O spread corresponde à diferença entre o preço de compra (ask) e o preço de venda (bid) de um ativo em qualquer momento do pregão. O preço exibido nas plataformas tende a ser o ponto médio entre os dois, mas a transação efetiva ocorre no ask (para quem compra) ou no bid (para quem vende), o que faz com que toda operação comece tecnicamente abaixo do ponto de equilíbrio. Em ativos de alta liquidez, o spread costuma ser estreito e em ativos menos negociados pode representar percentual relevante do retorno esperado da operação.

O slippage ocorre quando o preço no qual a ordem é executada difere do preço no qual foi enviada. É um custo que tende a não aparecer de forma explícita no extrato da operação, o que o torna menos visível do que a corretagem, e sua ocorrência é mais frequente em momentos de alta volatilidade ou baixa liquidez, quando o mercado se move mais rápido do que o sistema consegue processar a ordem. Conforme análise do CFA Institute, o slippage não gerenciado figura entre os principais fatores que explicam a diferença entre o desempenho teórico de uma estratégia em simulação e seu resultado em operação ao vivo.

A taxa de corretagem é o custo mais visível dos três. Corretoras costumam cobrar por ordem executada ou como percentual do volume negociado e para quem opera com frequência elevada, o custo acumulado pode representar parcela significativa do resultado mensal, independentemente da qualidade das entradas e saídas.

A soma desses três elementos é o que gestores e especialistas costumam chamar de custo de fricção. Como documentou Jack Schwager em Market Wizards (1989), os investidores consistentemente lucrativos entrevistados na obra tendiam a incorporar esses custos ao cálculo de viabilidade de suas estratégias antes de operá-las com capital real, prática que especialistas consideram fundamental para avaliar se uma estratégia é de fato rentável ou apenas aparentemente lucrativa quando os custos são desconsiderados.

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