Por Maria Eduarda Cabral em Segunda, 06 Abril 2026
Categoria: Mercados

Mercados respiram, mas seguem em alerta com impasse entre EUA e Irã

Bolsas avançam de forma moderada, petróleo recua e investidores mantêm postura cautelosa enquanto aguardam os próximos passos do conflito no Oriente Médio 

As bolsas globais iniciaram a semana em leve alta, enquanto o petróleo devolveu parte dos ganhos recentes, em um pregão marcado por cautela e alta sensibilidade às negociações entre Estados Unidos e Irã. O mercado reagiu a sinais de que ambos os lados analisam os próximos passos para um possível plano de cessar-fogo, embora as ameaças militares continuem no radar e mantenham os investidores em posição defensiva.

Em Nova York e Singapura, o sentimento foi de alívio moderado, mas longe de um otimismo consolidado. Mais cedo, os mercados chegaram a ganhar força após a divulgação de que EUA, Irã e mediadores regionais discutem uma proposta de cessar-fogo de 45 dias, que poderia abrir caminho para o encerramento definitivo da guerra no Oriente Médio. Ainda assim, a resposta iraniana esfriou parte do entusiasmo, ao rejeitar uma trégua temporária e insistir em um acordo que garanta o fim permanente do conflito.

"O mercado está apreensivo com esse ultimato e aguardando os próximos passos", resumiu Robert Pavlik, gestor sênior de portfólio da Dakota Wealth. A leitura predominante é de que o capital segue parcialmente exposto ao risco, mas ainda sem convicção suficiente para movimentos mais agressivos.

Em Wall Street, os principais índices operaram no campo positivo, sustentados por uma melhora pontual no apetite por risco. O Dow Jones subiu 0,13%, o S&P 500 avançou 0,18% e o Nasdaq ganhou 0,24%, refletindo a expectativa de que a tensão geopolítica possa, ao menos, entrar em uma fase de negociação mais estruturada.

Nos mercados de energia, porém, a sessão foi mais volátil. O WTI recuou para US$ 110,92 e o Brent caiu para US$ 108,74, mas ambos seguem em patamares historicamente elevados, mostrando que o prêmio de risco ainda está fortemente embutido nos preços. A ameaça de novos ataques à infraestrutura iraniana e a pressão sobre o Estreito de Ormuz continuam sendo os principais vetores para a commodity.

O câmbio também refletiu a redução parcial da aversão ao risco. O índice do dólar cedeu 0,37%, para 99,89, enquanto o euro avançou para US$ 1,1553. Já frente ao iene, a moeda americana mostrou estabilidade próxima da região de 160 por dólar, nível monitorado de perto pelas autoridades japonesas.

No mercado de renda fixa, os Treasuries oscilaram pouco, sinalizando um equilíbrio delicado entre esperança diplomática e receio inflacionário. O rendimento do título de 10 anos recuou levemente para 4,333%, enquanto o papel de 30 anos caiu para 4,8897%. A leitura é de que os investidores seguem aguardando definições mais claras antes de recalibrar apostas sobre juros.

Os dados econômicos dos EUA adicionaram uma nova camada de complexidade ao cenário. O ISM de serviços mostrou desaceleração da atividade em março, ao mesmo tempo em que os preços pagos pelas empresas subiram para perto da máxima em três anos e meio. O movimento reforça o temor de que a guerra prolongada esteja começando a contaminar a inflação por meio da energia.

Esse quadro se soma ao forte relatório de empregos divulgado na sexta-feira, que mostrou recuperação robusta na criação de vagas e queda da taxa de desemprego. Com atividade resiliente, inflação pressionada e guerra ainda em aberto, o Federal Reserve ganha menos espaço para flexibilizar sua política monetária.

Nos metais preciosos, o ouro operou praticamente estável em US$ 4.680,29 por onça, enquanto a prata recuou para US$ 72,71. O comportamento mostra que o mercado ainda prefere esperar por sinais mais concretos sobre a direção da guerra antes de ampliar posições defensivas.

O pano de fundo segue o mesmo: qualquer manchete sobre Ormuz, cessar-fogo ou nova escalada militar pode redefinir completamente o humor dos mercados nas próximas horas. 

Publicações Relacionadas

Deixe o seu comentário