Commodity chegou perto de US$ 120 no início do pregão; investidores buscam liquidez no dólar enquanto rendimentos de títulos sobem
As bolsas globais operam sob forte pressão após uma disparada nos preços do petróleo, que reacendeu temores de um novo choque inflacionário mundial. A alta da energia ocorre em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, que continua afetando o fluxo de petróleo na região.
Os contratos internacionais da commodity chegaram a subir quase 30% no início das negociações, aproximando-se de US$ 120 por barril, um dos maiores saltos diários já registrados. Durante a sessão, o Brent era negociado em torno de US$ 102,81, enquanto o WTI avançava para US$ 100,91.
A escalada dos preços da energia gerou uma onda de vendas nos mercados acionários globais. Os futuros de Wall Street indicavam queda próxima de 1%, enquanto as bolsas europeias ampliavam perdas. O índice STOXX 600 recuava cerca de 1,4%, acumulando a terceira sessão consecutiva de baixa.
Na Ásia, o impacto também foi significativo. O Nikkei, do Japão, fechou com queda de aproximadamente 5,2%, refletindo a preocupação de economias altamente dependentes da importação de energia.
O cenário geopolítico segue no centro das atenções. Investidores acompanham a evolução do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, além das discussões políticas internas em Teerã após a indicação de Mojtaba Khamenei como possível sucessor do líder supremo Ali Khamenei.
O transporte de petróleo também permanece sob forte pressão. Petroleiros evitam atravessar o Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do mundo, devido ao risco de ataques com drones, o que aumenta a preocupação com o abastecimento global.
Nos mercados de renda fixa, o receio de inflação mais alta impulsionou os rendimentos dos títulos. O retorno dos Treasuries de 10 anos subiu para cerca de 4,17%, refletindo expectativas de juros elevados por mais tempo.
Esse cenário também levou investidores a rever apostas sobre a política monetária. As projeções de cortes de juros pelo Federal Reserve diminuíram, enquanto na Europa crescem especulações de que o Banco Central Europeu possa enfrentar mais dificuldades para iniciar um ciclo de afrouxamento monetário.
Em meio à turbulência, investidores buscaram liquidez no dólar, que avançou frente a diversas moedas globais. O euro recuou cerca de 0,5%, enquanto o ouro caiu aproximadamente 1,2%, sendo negociado perto de US$ 5.106 por onça.