Retomada das tensões no Oriente Médio impulsiona petróleo, fortalece o dólar e pressiona o metal
O ouro iniciou a semana em queda, pressionado pela renovação das tensões entre Estados Unidos e Irã, que voltou a elevar o preço do petróleo, reacendeu temores inflacionários e esfriou as expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve ainda neste ano.
O metal à vista recuou 0,8%, para US$ 4.711,51 por onça, após tocar mais cedo o menor nível desde 7 de abril. Os contratos futuros com vencimento em junho acompanharam o movimento, com baixa de 1,1%, negociados a US$ 4.732,80.
O gatilho para a correção veio após o fracasso das negociações do fim de semana entre Washington e Teerã. Em resposta, os Estados Unidos anunciaram o início de um bloqueio marítimo no entorno dos portos iranianos, ampliando novamente o risco de ruptura no fluxo energético global. A reação do Irã foi imediata: a Guarda Revolucionária afirmou que qualquer embarcação militar próxima ao Estreito de Ormuz poderá ser tratada como violação do cessar-fogo temporário.
A nova escalada recolocou no radar do mercado o risco de uma guerra mais ampla na região, o que devolveu o petróleo para acima de US$ 100 por barril. Esse movimento aumenta a preocupação com inflação global, sobretudo por seus efeitos em cadeia sobre frete, energia e custos industriais.
Com isso, o mercado voltou a reduzir as apostas em flexibilização monetária nos Estados Unidos. A chance de um corte de pelo menos 25 pontos-base na reunião de dezembro do Fed caiu para 16%, abaixo dos 21% registrados no dia anterior, refletindo a percepção de que a autoridade monetária pode ser forçada a manter juros elevados por mais tempo.
Outro vetor de pressão foi o fortalecimento do dólar, que avançou para perto da máxima de uma semana. Como o ouro é cotado na moeda americana, a valorização do dólar reduz a atratividade do metal para investidores de outras divisas e limita a demanda internacional.
Mesmo tradicionalmente visto como proteção em momentos de estresse geopolítico, o ouro tem sofrido neste ciclo porque a alta dos juros reais e a redução das apostas em cortes pesam mais sobre um ativo que não oferece rendimento. Desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã, em 28 de fevereiro, o metal já acumula queda superior a 10%.
Entre os demais metais preciosos, a prata caiu 2,3%, a platina recuou 1,5%, enquanto o paládio destoou ao registrar leve alta de 0,1%.