Governo japonês afirma estar preparado para agir no mercado cambial, enquanto desvalorização do iene pressiona empresas, eleva custos e aumenta preocupações com a economia
O governo do Japão voltou a sinalizar que está pronto para intervir no mercado cambial caso a desvalorização do iene se intensifique. A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, afirmou que Tóquio mantém contato constante com os Estados Unidos sobre questões cambiais e que a posição do país permanece inalterada: agir sempre que necessário para conter movimentos excessivos da moeda.
O alerta ocorre após o iene se recuperar parcialmente das mínimas de 40 anos, movimento impulsionado pelo relatório de empregos dos Estados Unidos mais fraco do que o esperado, que reduziu as expectativas de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve e enfraqueceu o dólar.
Apesar da recuperação, a moeda japonesa segue pressionada, sendo negociada próxima de 161 ienes por dólar, depois de ter alcançado a marca de 162,84, o menor nível em quatro décadas.
A fraqueza prolongada do iene também tem ampliado os desafios da economia japonesa. Segundo levantamento da Tokyo Shoko Research, as falências relacionadas ao aumento dos custos provocado pela desvalorização da moeda cresceram 32,3% no primeiro semestre de 2026, afetando principalmente empresas com menor capacidade de repassar custos aos consumidores.
No mercado de renda fixa, os rendimentos dos títulos públicos japoneses de 10 anos atingiram o maior nível em três décadas. Investidores continuam preocupados com a expansão dos gastos públicos e com a possibilidade de o Banco do Japão manter uma política monetária mais acomodatícia por mais tempo.
Enquanto isso, integrantes do governo passaram a defender aumentos graduais dos juros como forma de reduzir a pressão sobre o iene e restaurar maior equilíbrio ao mercado financeiro japonês. O cenário mantém investidores atentos tanto às próximas decisões do Banco do Japão quanto à possibilidade de novas intervenções cambiais.